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Glaucoma

O glaucoma é uma das principais causas de cegueira irreversível em cães e também nos humanos, e quando está relacionado ao aumento da pressão intraocular (PIO), é extremamente doloroso. Geralmente, a ideia é relacionar o glaucoma apenas com um aumento da PIO; embora isto não seja um equívoco, de acordo com o conhecimento que temos hoje pode-se dizer que é um conceito altamente incompleto.

Pesquisas nas duas últimas décadas proporcionaram avanços importantes na compreensão do tipo de doença em questão, aceitando hoje que, o glaucoma é uma doença neurodegenerativa cuja a primeira estrutura a ser afetada é o nervo óptico (NO), e mais progressivamente as células ganglionares da retina (CGR).

Nesse sentido, o glaucoma pode ser definido como uma doença degenerativa e progressiva do nervo óptico, associada a um nível de pressão PIO aumentada que interfere na fisiologia normal do mesmo, que ainda não tem um valor de PIO predefinido para que se de o start e comece a lesão e consequentemente a progressão da doença. Por estas razões, o glaucoma deve ser considerado como uma emergência em todos os casos em que o olho afetado ainda retém a visão.

Quando em estágios finais da evolução da doença a visão for perdida, nessa fase o principal propósito do tratamento é o controle da dor a fim de proporcionar qualidade de vida e, portanto, o conceito de urgência desaparece. O controle da PIO é mantido pela produção e drenagem do humor aquoso, cuja função é nutrição da lente (cristalino) e da córnea, e juntamente com o humor vítreo mantém o volume ocular. Trate-se de um ultrafiltrado do sangue produzido pelo corpo ciliar (estrutura intraocular adjacente a íris), que circula por toda a câmara anterior e posterior através da pupila, e drenado no ângulo iridocorneano para a corrente sanguínea. Portanto, em ocasiões onde a drenagem é comprometida, vamos ter o aumento da PIO e consequentemente lesões do glaucoma.

Podemos classifica-lo segundo a origem:

Primaria: é quando os animais nascem com defeito estrutural no ângulo iridocorneano (goniodisgenesia) que consequentemente vai dificultar a drenagem do humor aquoso, e quando também não se encontra sinais e ou vestígios de doença ocular prévia.  A grosso modo, pode ser comparado com o glaucoma de ângulo fechado nos humanos. É uma doença de origem genética e transmissão hereditária de aparência quase sempre bilateral. As raças mais predispostas são: Basset Hound, Cocker Spaniel Inglês, Fox Terrier, Shar Pei, Husky Siberiano, Chow Chow, etc.

Secundária: está associada a outra doença ocular primária que cause obstrução no ângulo diminuindo a drenagem do humor aquoso, dentre essas podemos citar a uveíte (inflamação intraocular), luxação da lente (cristalino) tumores intraoculares, descolamento de retina, entre outras. 

Os sinais clínicos mais evidentes do glaucoma são que estão relacionados com o aumento da PIO: dor ocular (passar a pata no olho), lacrimejamento, blefarospasmos (piscar frequentemente), edema córnea (olho azulado), hiperemia e congestão episcleral (vermelhidão na parte branca dos olhos), dificuldade ou ausência de visão e por último bulftamia (aumento no tamanho do olho).

O diagnóstico é feito através da aferição da PIO, que em olhos normais pode variar de 13 até 24mmhg (milímetros por mercúrio), avaliação de fundo de olho (nervo óptico e retina), e avaliação do ângulo iridocorneano. Se os níveis de PIO estiverem aumentados e associados a lesões estruturais no nervo ótico e retina, e a estreitamento no ângulo iridocorneano, pode ser confirmado o diagnóstico de glaucoma e sua classificação.

Tratamento

O mais importante a ser informado é que a rapidez no diagnóstico e consequentemente tratamento, vão ser primordiais na manutenção da visão, caso contrário o principal objetivo será o controle da dor. Consiste em diminuir a pressão intraocular com o uso de medicamentos e até mesmo cirurgia. Pesquisas mais recentes revelam que o uso de substâncias antioxidantes e neuroproteroras, diminuem a perda progressiva da visão em olhos glaucomatosos.  

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